Cultura Pop, Juventude e Espiritismo

Cultura Pop, Juventude e Espiritismo

A cultura pop está por toda parte. Você pode perceber melhor isso, quando acessa a Internet, ouve música, assiste televisão ou um vídeo, usa um aplicativo ou vai a um cinema, concerto, shows ou a um espetáculo no teatro, especialmente quando esses conteúdos, na linguagem atual, “viralizam”.

Embora a tecnologia seja uma dinamizadora na nossa inserção nesse universo, a cultura pop não é uma novidade. Inclusive, quando ela começou a ser definida, tinha um significado pejorativo. Foi no século XIX que o termo “cultura popular” foi concebido e associado a uma educação precária e às classes mais pobres, em oposição à “alta cultura” e da educação superior de classes sociais mais abastadas ou das elites. Alta cultura era a designação para as formas mais tradicionais de manifestação artística, dos grandes museus, teatros, concertos, entre outros, cujo usufruto e a admiração apenas eram compartilhados com os mais ricos.

A partir do período pós Segunda Guerra Mundial, com a expansão dos meios de comunicação, houve grandes mudanças culturais e sociais que culminaram em uma mudança da cultura popular, cada vez mais conectada com o consumo de massa. A forma abreviada de “pop” para popular, como na música pop, passa a ser utilizada nesse período, inaugurando a cultura pop moderna pela geração “baby boomer” (nossos pais e avós 😉).

A cultura pop se propôs a diminuir as distâncias de usufruto de bens culturais entre as classes sociais e, simultaneamente, vincular gosto e preferências culturais com o consumo. Ela foi cada vez mais difundida em uma tentativa de dialogar com a arte erudita, desde a pintura e a escultura até a música, a dança e a literatura. É uma representação cultural que conseguiu atingir um grande público, especialmente o público jovem.

Mas cada um de nós manifestamos nossas próprias preferências dentro desse universo da cultura pop, afinal, o ato de consumo demanda uma escolha, uma manifestação de preferências. Consequentemente, a cultura pop apresenta uma variedade gigantesca de grupos e de segmentos, com identidades e gostos próprios. Por isso ela tem um forte vínculo com a formação dos hábitos e com o enlaçamento das amizades entre os jovens. Temos Nerds, Geeks, gamers (que também podem ser nerds), grafiteiros, skatistas, marvetes, blogueiros, youtubers e uma possível e infindável lista de grupos que consomem e alimentam a cultura pop.

Até aí tudo normal. É um processo social contemporâneo que satisfaz muitas pessoas e ajuda a socializar. Mas… a cultura pop não é isenta de problemas. É fácil então perceber que ela tem um potencial de influenciar nossas atitudes e comportamentos, mas nem sempre no sentido mais harmônico para nosso próprio bem. Em suma: cultura pop não é inocente; inocente são os que acreditam nisso!

Como se trata de uma atividade humana de entretenimento e diversão, precisamos estar atentos aos sentimentos que surgem ou nos motivam. Relembrando que a cultura pop está fundamentada em uma relação de consumo, que precisa ser alimentada constantemente. Portanto, precisamos estar muito atentos para não nos deixarmos influenciar a tal ponto de converter o consumo de cultura pop como a razão maior da nossa vida.

A variedade de personagens e de tendências diverte, mas também pode viciar…

Mas… então o jovem espírita não pode gostar de cultura pop? Claro que pode! Até mesmo porque os Espíritos não nos proíbem de nada; respeitam nosso livre arbítrio, mas nos alertam veementemente para os cuidados com o pensamento e com as vibrações que emitimos e que nos vinculamos.

É possível tirar o melhor proveito da cultura pop? Sem dúvida! Mas precisamos estar conscientes nos melhores propósitos que podemos construir enquanto consumidores de cultura pop.

Pense um pouco e observe quais são as suas preferências:

  • Veja seus aplicativos favoritos, sua lista de reprodução de músicas, filmes, vídeos e reflita: você gosta mesmo desse conteúdo ou apenas ou consome porque alguém lhe disse que é legal? Analise o que você tem compartilhado e falado em suas redes sociais.
  • Observe que camisetas você gosta de usar: se elas têm estampa, você deseja dizer alguma coisa para os outros com isso? Acha relevante se identificar com alguma ideia ou está usando porque todo mundo também está?
  • Analise as séries que você acompanha no streaming sob o ponto de vista dos sentimentos que elas lhe provocam e nos interesses que elas induzem.

Alguns cuidados precisam ser evidenciados:

  1. Cuidado com os excessos: cultura pop pode gerar vícios (maratonar séries e parar com o convívio social, vício em games, superfocalização em apenas um tipo de assunto, etc), que nos tiram a atenção sobre aquilo que realmente precisamos valorizar, que é o nosso crescimento espiritual;
  2. Descobrir o que realmente gosta, sem se deixar levar pelo gosto alheio: podemos até descobrir gostos com base em sugestões de amigos; mas quando não gostamos e apenas consumimos conteúdos de cultura pop porque a “turma curte” podemos estar nos violentando e deixando de usufruir de outros coisas muito mais interessantes;
  3. Começar a mudar de comportamento com os conteúdos consumidos: observar os sentimentos e os pensamentos associados ao que nós acompanhamos na cultura pop, de modo a observarmos se nós mesmos estamos nos estranhando ou que as pessoas ao nosso redor estão notando alterações; isso pode ser um forte indício de abertura de sintonia para irmãos do Mundo Espiritual ignorantes e que se interessam pelas vibrações por nós emanadas.
Quando a cultura pop vira prisão: o perigo dos conteúdos viciantes

Desse modo, o jovem espírita precisa abrir sua mente para a compreensão de todos os significados da cultura pop em sua vida, de modo a não se converter em escravo de paixões ou vícios que até mesmo fantasias inocentes podem gerar. Devemos ter cuidado com a fé que se pode reservar à cultura pop.

A lição do cap. XIX de O Evangelho, no seu item 7, traz importantes reflexões sobre a fé raciocinada. É um importante corolário do Espiritismo, na medida em que a Doutrina nos incentiva a crer, mas, sobretudo compreender, de modo a reforçar nossa fé:

A fé necessita de uma base, base que é a inteligência perfeita daquilo em que se deve crer. E, para crer, não basta ver; é preciso, sobretudo, compreender. A fé cega já não é deste século, tanto assim que precisamente o dogma da fé cega é que produz hoje o maior número dos incrédulos, porque ela pretende impor-se, exigindo a abdicação de uma das mais preciosas prerrogativas do homem: o raciocínio e o livre-arbítrio. […] A fé raciocinada, por se apoiar nos fatos e na lógica, nenhuma obscuridade deixa. A criatura então crê, porque tem certeza, e ninguém tem certeza senão porque compreendeu. Eis por que não se dobra. Fé inabalável só o é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da Humanidade. (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. XIX, item 7, grifos nossos)

O remédio oferecido pelo Evangelho também pode ser aplicado quando observamos com critério a cultura pop. Se nossa convivência nela estiver nos tirando a capacidade do exercício da razão (fomentando nossas paixões) e impor barreiras ao nosso livre-arbítrio, estaremos cegos e depositando excesso de valor naquilo que não o vale.

Bem sentida, mas sobretudo, bem compreendida, a cultura pop nos proporcionará alegria e diversão. Ora! Tantas coisas boas podemos fazer com ela, principalmente reforçar boas amizades e usar da nossa inteligência para interagir com o conteúdo. Afinal, existem muitos artistas de talento e inteligência que fazem uma boa cultura pop.

E não podemos desprezar o poder da intuição sobre autores dos conteúdos. Também existem boas reflexões que dialogam com os conteúdos do Espiritismo! Vejamos por exemplo a saga de Star Wars.

De que lado você está da Força?

Essa saga traz, indiretamente, muitos princípios espiritualistas como a mediunidade, vida pós a morte, pluralidade dos mundos habitados, questões morais, conflito do bem e o mal, sintonia e energia. Em Star Wars também verificamos que o desenvolvimento intelectual não necessariamente acompanha o desenvolvimento moral, pois, personagens que contam com recursos tecnológicos avançados, infelizmente, apresentam desenvolvimento moral distante do bem maior.

Desse modo, podemos raciocinar para analisar os conteúdos e como eles podem nos favorecer no exercício da razão, da inteligência e dos bons conselhos, de modo a aproveitarmos a cultura pop não apenas como consumidores passivos, mas aqueles com discernimento!

Para finalizar, é possível ver o Espiritismo como cultura pop? Não de forma direta, visto que é uma Doutrina religiosa de cunho filosófico e científico. Mas pode indiretamente fazer parte de uma cultura pop na medida em que a divulgação de seus princípios puder sensibilizar um maior número de pessoas, viralizando, digamos assim. Hoje temos muitos recursos para aprimorar a difusão de conteúdos espíritas que podem, sim, fazer parte de uma boa cultura pop, especialmente porque seu consumo não é banalizado ou feito para viciar, mas para libertar as pessoas. O conteúdo do Espiritismo não tem preço e o estímulo é que as pessoas soltem suas amarras de seus próprios vícios.

Que tal tornar o Espiritismo mais pop em sua vida? E o que vocês acham sobre identificar melhor a cultura pop que você está usufruindo?

Vamos conversar mais sobre esse tema na nossa próxima live de sábado às 18h no YouTube com nosso podcast! A live será no canal do Cefak no YouTube! Aguardamos você no Podlá!

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