Quem SOUL eu?

Quem SOUL eu?

Olá, Juventude Espírita!

Neste post vamos nos dedicar à sétima arte! O cinema tem sido uma das expressões mais mobilizadoras dos nossos sentimentos, conjugando diversos modos de acionar emoções e de mobilizar ideias por meio de histórias. Nas animações, os recursos tecnológicos associam o melhor da interpretação com recursos simbólicos poderosos, que ultrapassam o mero entretenimento. É o que acontece com a animação da Pixar intitulada SOUL.

Então, como faremos um debate de SOUL…

Se você ainda não viu a animação, não fique desanimado! Este conteúdo pode ser revelador do filme, mas não chegará a prejudicar seu entretenimento! De qualquer forma, AVISO DADO! 🙂🙂🙂

Importante ressaltar que SOUL é uma animação com muitas referências ao mundo espiritual. No entanto, vamos preferir o desenho como uma fábula, visto que os produtores não se preocuparam de alinhar seu produto com os conhecimentos do Espiritismo, ou seja, há muitos aspectos que são mera ficção. Assim, neste conteúdo, preferimos abordar aspectos simbólicos e de algumas das múltiplas camadas interpretativas que SOUL oferece (como toda boa obra cinematográfica!).

A história trata de Joe Gardner, um homem de meia idade que vive sozinho em Nova Iorque, professor de música de uma escola a tempo parcial e um apaixonado por jazz. Filho de uma costureira e órfão de um pai músico, seu maior desejo é conseguir se tornar um pianista reconhecido de uma banda de jazz.

Num dia comum, Joe tem a aula interrompida pela diretora da escola que oferece o emprego a tempo integral com todos os benefícios de uma carteira assinada. Joe, no entanto, não se anima muito, pois vê o seu sonho de se tornar pianista profissional cada vez mais distante. No entanto, poucas horas depois, Joe recebe uma ligação inesperada para tocar num famoso clube de jazz da cidade com uma saxofonista importante (Dorothea Williams). No mesmo dia, portanto, ele recebe duas notícias de impacto: ganha um emprego a tempo integral e a possibilidade de se tornar músico profissional.

Imagem: Reprodução/Disney•Pixar

Eis que, depois de receber as notícias mais importantes da sua vida, ao sair do clube de jazz sofre um acidente e entra em coma. Sua alma segue um caminho numa esteira rumo ao fim, mas quando o músico percebe que sua vida será interrompida, faz de tudo para voltar ao planeta Terra e fazer a sua tão esperada apresentação de piano no clube de jazz.

Ao tentar fugir desse destino, Joe cai na “Pré-vida”, um espaço fantástico que reúne as novas almas antes delas virem para a Terra. Sem entrar em mais detalhes, é nesse ambiente que Joe conhece 22, uma alma divertida e teimosa que se recusa a reencarnar.

Por um “erro do sistema”, Joe se torna seu tutor, uma espécie de responsável por fazer com que 22 encontre o seu propósito de vida. Rebelde, 22 arruma sempre maneira de continuar onde está, sem encontrar a sua “faísca de vida”, a centelha da paixão que a move para ganhar direito à vida na Terra. Joe, ao contrário de 22, quer desesperadamente voltar para ao planeta e reencontrar o próprio corpo para avançar com os planos que havia traçado para a sua vida.

Imagem: Reprodução/Disney•Pixar

Juntos, a dupla improvável de Joe e 22 se une para resolver seus problemas: Joe quer a todo custo regressar ao seu corpo para realizar seu sonho na Terra e 22 precisa descobrir a sua vocação para a sua alma seguir o seu percurso natural e finalmente nascer. Nesse percurso desafiador e conturbado, ambos aprendem um com o outro e acabam descobrindo não só os seus propósitos de vida como quais são as coisas que realmente deveriam dar valor.

Bom, esse é um brevíssimo resumo do que se trata a história. Mas, como dissemos, nela a muitas camadas interpretativas e, para o nosso debate, podemos pensar que os personagens Joe e 22 podem ser dois lados de uma mesma moeda, ou seja, duas perspectivas por que passam boa parte da juventude, dois extremos de um espectro: o sonho/ilusão e o medo/paralisia.

Joe e 22 são personagens opostos: ele deseja o novo, ela quer continuar onde está. O que Joe mais deseja é voltar para a vida para realizar seu sonho, de acordo com a sua vocação. Ele tem certeza ABSOLUTA de que seu propósito de vida é tocar em uma prestigiosa banda de jazz e nada poderia demovê-lo disso. Por sua vez, 22 enfrenta um receio da vida na Terra e tem medo de não saber o que a motiva; ela tem um potencial enorme, mas se perde na paralisia e na inércia, pois seu movimento é continuar onde está, num lugar onde já conhece e que lhe é confortável.

Joe poderia ser a representação da juventude sonhadora e batalhadora, que persegue seus objetivos com obstinação e dedicação… mas também representa a juventude que não consegue olhar ao seu redor, observar as coisas simples da vida e as diversas oportunidades que passam despercebidas a título de não estarem condizentes com as expectativas criadas. Isso acontece muito com jovens esforçados, trabalhadores e estudiosos, mas que não se permitem observar alternativas incríveis, mas que estão longe do que eles sonham para eles.

Há uma passagem no longa metragem em que Joe dialoga com a cantora famosa que, percebendo um sinal de dúvida em Joe, faz uma provocação:

Imagem: Reprodução/Disney•Pixar

Tem uma história sobre um peixe. Esse peixe foi até um ancião e disse:
‐ Tô procurando um negócio. Um tal oceano.
‐ O oceano? ‐ ancião falou ‐ Você está no oceano!
‐ Isso? ‐ disse o peixinho ‐ Isso aqui é água… O que eu quero é o oceano!

É nesse ponto que temos a armadilha das expectativas, que podem estar permeadas de outros desejos, como prestígio, riqueza, poder, etc. Tais expectativas, inclusive, podem estar aprisionadas na própria vocação ou habilidade acumulada de outras encarnações, como no caso de Joe. Por exemplo, o que impede alguém com altas habilidades manuais trabalhar como jornalista, por exemplo? Ou que alguém formado em comunicação não se revele um excelente professor(a) de ensino médio? Onde está o sonho e onde está a ilusão?

Por outro lado, 22 pode representar a juventude que sofre de medo do fracasso ou da ansiedade em relação aos desafios e, ao contrário do que se pensa, prefere ficar onde está, no seu “quadradinho”, evitando encarar de frente as novas etapas da vida e mantendo certo orgulho no sentido de evitar fracassos, cometer erros, enfim, sofrer. É o medo paralisante. Infelizmente, para uma boa parte da juventude isso se converte em patologias psicológicas e espirituais e, para outro segmento, o medo é reforçado pela garantia de que terá sempre a segurança dos pais.

Imagem: Reprodução/Disney•Pixar

O longa metragem oferece uma solução magistral para o dilema enfrentado pelos personagens: somente com a companhia um do outro, por meio da capacidade de questionar e de tirar o outro do lugar, é que Joe e 22 aprendem qual é o sentido da vida e convidam o espectador a pensar sobre aquilo que os move. Ao ser espécie de orientador de 22, Joe acaba tendo que amadurecer e aprender a ouvir o outro e ser menos autocentrado. Graças a 22 que Joe deixa momentaneamente de lado a sua obsessão por jazz e é capaz de se conectar verdadeiramente com o outro e com as coisas simples e lindas que a vida sempre nos reserva.

Imagem: Reprodução/Disney•Pixar

22, por sua vez, começou o seu percurso desejando com todas as forças não sair de onde estava querendo morar para sempre na sua zona de conforto. Apesar do esforço de todos os tutores, ela conseguiu levar a frente o seu desejo que era mesmo permanecer indefinidamente naquele plano da vida. Somente depois de um período na Terra, ao lado de Joe, que 22 experimenta a vida humana e deseja, afinal, ficar entre os encarnados. Ela descobre alegria no sabor dos alimentos, no cheiro, na música, nas conversas de rua, e se encanta pela vida, algo que 22 jamais se permitiu quando insistia em não sair da sua inércia e alimentar seus receios. A personagem apresenta os pequenos prazeres da vida e as alegrias que muitas vezes passam despercebidas e devemos extrair do nosso cotidiano, oferecendo uma preciosa oportunidade para que Joe perceba outros valores também importantes, como as amizades, sua mãe e seus alunos.

A grande reviravolta do filme acontece quando os protagonistas, afinal, abrem mão daquilo que já têm e decidem ir em busca de outro destino diferente daquele que inicialmente imaginavam para a própria vida. Um, descobrindo as alegrias da vida e das múltiplas oportunidades; outro, da beleza da experiência e do aprendizado que precisamos para expandir nossos horizontes!

Imagem: Reprodução/Disney•Pixar

A união desses personagens pode representar o esforço de harmonização que a juventude pode realizar, conciliando seus desejos e sonhos dentro de uma perspectiva e de uma intensão guiadas pelo conhecimento da realidade espiritual, do valor da encarnação e, claro, da sabedoria do Evangelho de Jesus. É fundamental que a juventude escape de ambas armadilhas paralisantes: a obsessão por certos sonhos, que criam ilusões, e o medo do fracasso.

Para você que se identifica mais com o Joe, temos três recados. O primeiro, extraído do Evangelho segundo o Espiritismo:

“Pelo simples fato de duvidar da vida futura, o homem dirige todos os seus pensamentos para a vida terrestre. Sem nenhuma certeza quanto ao porvir, dá tudo ao presente. Nenhum bem divisando mais precioso do que os da Terra, torna-se qual a criança que nada mais vê além de seus brinquedos.” (Evangelho Segundo o Espiritismo, Cap. II, Item 5)

O segundo recado é dado pelo Espírito de Joanna de Ângelis, por intermédio de Divaldo Franco(1):

“Como se demoram no invólucro carnal, em que a ilusão dos sentidos predomina, têm dificuldade de agir com inteireza e crer integralmente, em regime de tranquilidade.
Graças às equívocas atitudes que no consenso social lhes permitem triunfos enganosos, transferem tal comportamento, quase sempre para a fé que esposam, acreditando-se resguardados nos sentimentos íntimos.
(…)
Estuda com sinceridade as lições espíritas para libertar-te da ignorância espiritual. Elas te facultarão largo tirocínio e invejável campo de liberdade interior, promovendo meios de ação superior que produz paz e harmonia pessoal. Dir-te-ão o que fazer, como realizar e porque produzir com eficiência.
Cada Espírito é o que aprendeu, o que realizou, quanto conquistou. Não poderá oferecer recursos que não possui nem liberar-te das dores e provas que a si mesmo não se pode furtar.”

E o terceiro recado para a “turma do Joe” é dado pelo colega Rossandro Klinjey, sobre como elaborar e perceber a construção dos nossos sonhos:

E para você, jovem, que está se sentindo pelo menos parecido com a personagem 22, também temos sugestões para vocês. Primeiro, um recadinho de Joanna de Ângelis (2):

“O medo desfigura e entorpece a realidade. Agiganta e avoluma insignificâncias, produzindo fantasmas onde apenas suspeitas se apresentam.
É responsável pela ansiedade – medo de perder isto ou aquilo – sem dar-se conta de que somente se perde o que se não tem, portanto, o que não faz falta.
A ação consciente, prolongando-se pelo fio das horas, anula o medo, por não facultar a medida do comportamento nas memórias pessoais ou sociais.
(…)
Mais importante do que pensar e repensar as causas do medo é a atitude saudável, ante uma conduta existencial tranquila, pelo fruir cada momento em plenitude, sem memória do passado – evitando o padrão atemorizante – nem preocupação com o futuro.
(…)
Não transfiras para depois a execução de tarefas ou decisões nenhumas.
Cada instante, vive-o, totalmente, sem aguardar o que virá ou lamentar o que se foi.
Descobrirás que assim agindo, sem constrições, nem pressas ou postergações, te sentirás interiormente livre, pois que somente em liberdade o medo desaparece.
Não aguardes, nem busques a liberdade. Realiza-a na consciência plena, que age de forma responsável e tranquiliza os sentimentos.”

E, para finalizar, que a “turma da 22” possa se inspirar com esse vídeo contagiante!

A percepção do significado da nossa encarnação, de quais são os nossos propósitos ou as nossas missões deve ser levada com cuidado e com paciência. Descobrir nossa missão é uma revelação para muitos poucos nesta Terra. Tal descoberta, para a maior parte de nós, vem apenas com a vivência, com o dia-a-dia, com a ampliação da nossa percepção sobre os rumos que Deus nos oferece. Não precisamos nos impor nada, apenas dar espaço para o trabalho sincero de aprimoramento. Descobriu sua vocação ou habilidade? Que bom! Use-a com se prender a grilhões. Tem muitas dúvidas ainda? Não há problema! Quem não tem dúvidas nesta vida? A busca deve ser permanente. E não se surpreenda quando quem não tem dúvida nenhuma se deparar com certos vazios na vida. Dúvidas e erros fazem parte da nossa encarnação. Quando mais procuramos nos esconder disso, mas nos impedimos de atingir as potencialidades que a vida nos oferece!

Então? Quem você é? Qual os seus propósitos? Já se perguntou sobre isso?

Vamos conversar mais sobre esse tema na nossa próxima live de sábado às 18h no YouTube com nosso podcast! A live será no canal do Cefak no YouTube! Aguardamos você no Podlá!

O que achou do conteúdo? Gostaria de fazer algum comentário sobre o tema? Ficou com alguma dúvida? Deixe seu comentário!

Referências:
(1) FRANCO, Divaldo Pereira. Florações Evangélicas. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 5.
(2) FRANCO, Divaldo Pereira. Momentos de Felicidade. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. 4.ed. LEAL, 2011. Capítulo 11.

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